Covid-19 cria impacto nas relações laborais

Publicado em 2020-03-20

Já foram aprovadas o conjunto de medidas com impacto nas relações laborais, no âmbito da resolução do Conselho de Ministros n.º 10-A/2020, o Decreto-Lei n.º 10-A/2020 e a Portaria n.º 71-A/2020, recorrentes do surto de Covid-19. 

Covid-19 cria impacto nas relações laborais

As medidas aprovadas são referentes aos seguintes casos de situação de crise empresarial; apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho em situação de crise empresarial; plano extraordinário de formação; incentivo financeiro extraordinário para apoio à normalização da atividade da empresa; teletrabalho; doença do trabalhador; ausência do trabalhador por encerramento de escola; trabalhador em isolamento profilático e ausência do trabalhador para assistir filho ou neto colocado em isolamento. 

No que diz respeito à situação de crise empresarial:

Considera-se “situação de crise empresarial”:

  • A paragem total da atividade da empresa ou estabelecimento que resulte da interrupção das cadeias de abastecimento globais, da suspensão ou cancelamento de encomendas;
  • A quebra abrupta e acentuada de, pelo menos, 40 % da faturação, com referência ao período homólogo de 3 meses, ou, para quem tenha iniciado a atividade há menos de 12 meses, à média desse período;
  • Estas circunstâncias são atestadas mediante declaração do empregador juntamente com certidão do contabilista certificado da empresa; No que diz respeito à situação de crise empresarial: 

No que concerne ao apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho em situação de crise empresarial:

  • Apoio financeiro, por trabalhador, atribuído à empresa em “situação de crise empresarial”, destinado, exclusivamente, ao pagamento de remunerações.
  • Montante do apoio: Segurança Social pagará ao empregador 70% do valor equivalente a 2/3 da retribuição ilíquida do trabalhador abrangido, até um máximo de 3 RMMG (€1905,00).
  • Duração do apoio: um mês, prorrogável mensalmente, até um máximo de 6 meses, apenas quando (i) os trabalhadores tenham gozado o limite máximo de férias anuais e (ii) o empregador tenha adotado os mecanismos de flexibilidade dos horários de trabalho.
  • Empregador tem direito à isenção total do pagamento das contribuições à Segurança Social, na parcela a seu cargo, durante o período de atribuição do apoio.
  • Recurso ao apoio implica comunicações à Segurança Social e aos trabalhadores abrangidos, assim como aos seus representantes, caso existam.
  • Este apoio é cumulável com um plano de formação aprovado pelo IEFP, I. P., ao qual acresce uma bolsa de valor correspondente a 30% do IAS (€131,64) destinado, em partes iguais, ao empregador e ao trabalhador (€65,82 a cada).

Ao plano extraordinário de formação; 

  • Aplicável a empresa em “situação de crise empresarial”.
  • Medida alternativa ao apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho.
  • Duração do apoio: um mês.
  • O apoio extraordinário a atribuir por trabalhador abrangido é suportado pelo IEFP, I. P., sendo concedido em função das horas de formação frequentadas, até ao limite de 50% da retribuição ilíquida, com o limite máximo da RMMG (€635,00).
  • A duração da formação não deve ultrapassar 50% do período normal de trabalho durante o período em que decorre.
  • Empregador tem direito à isenção total do pagamento das contribuições à Segurança Social, na parcela a seu cargo, durante o período de atribuição do apoio.
  • Formação é ministrada pelos centros de emprego e formação profissional do IEFP, I. P..
  • Recurso ao apoio implica comunicações ao IEFP, I. P. e aos trabalhadores abrangidos.

 Ao incentivo financeiro extraordinário para apoio à normalização da atividade da empresa:

  • Aplicável a empresa em “situação de crise empresarial” que tenha beneficiado(i) do apoio extraordinário à manutenção de contrato de trabalho ou (ii) do plano extraordinário de formação.
  • Concedido pelo IEFP, I. P..
  • Pago de uma só vez e com o valor de uma RMMG (€635,00) por trabalhador.

Ao teletrabalho; 

  • O teletrabalho poderá ser imposto pela empresa, ultrapassando-se assim a necessidade de consentimento do trabalhador.
  • O teletrabalho poderá, ainda, ser requerido pelo trabalhador, mas sempre condicionado à sua compatibilidade com o tipo de funções exercidas.

A situação de doença do trabalhador:

  • No caso de trabalhador infetado com o COVID-19, a ausência constituirá falta justificada, com perda de retribuição, tendo o trabalhador direito a subsídio de doença, cujo montante varia entre 55% e 75% da sua remuneração de referência, em função do período de doença.
  • Nestes casos, o subsídio de doença deixa de estar sujeito ao habitual período de espera de 3 dias.

Ausência do trabalhador por encerramento de escola:

Com o encerramento dos estabelecimentos escolares decretado pelo Governo, e a consequente necessidade de muitos trabalhadores permanecerem em casa para prestar apoio aos seus familiares, foi determinado que:

  • A ausência do trabalhador para apoiar filho ou outro dependente a cargo com menos de 12 anos, ou com deficiência ou doença crónica independentemente da idade, decorrente de suspensão das atividades letivas, constitui falta justificada, com perda de retribuição.
  • Nestes casos, o trabalhador terá direito a um apoio compensatório da perda de retribuição, nos seguintes moldes:
    • O apoio tem um valor equivalente a 2/3 da retribuição base, com um limite mínimo de €635,00 e máximo de €1.905,00.
    • O apoio é suportado em partes iguais pela empresa e pela Segurança Social.
    • A empresa paga a totalidade do apoio, recebendo da Segurança Social a respetiva a parcela.
    • O apoio está sujeito a contribuições para a Segurança Social, devendo a empresa reter a quotização do trabalhador (11% do valor do apoio), suportar 50% da contribuição social pela totalidade do apoio e efetuar declarações de remuneração.
  • O apoio não será pago nos seguintes casos:
    • Durante o período de férias escolares, como sejam as férias da Páscoa.
    • Caso seja possível continuar a exercer funções não obstante a ausência, nomeadamente através de teletrabalho.

Trabalhador em isolamento profilático: 

  • O isolamento profilático do trabalhador por um período de 14 dias, decretado por autoridade de saúde, é equiparado a doença.
  • Durante o isolamento, o trabalhador não aufere retribuição, mas terá direito a um subsídio de doença equivalente a 100% da sua remuneração de referência, o qual não está sujeito ao habitual período de espera de 3 dias, ou a qualquer prazo mínimo de garantia ou índice de profissionalidade.

Ausência do trabalhador para assistir filho ou neto colocado em isolamento:

  • A ausência para acompanhamento de filho ou outro dependente a seu cargo, que esteja em isolamento profilático determinado por autoridade de saúde, por um período de 14 dias, é qualificada como falta justificada.
  • Durante o período de ausência, o trabalhador terá direito a um subsídio correspondente a 65% da sua remuneração de referência, o qual será elevado para 100% no caso de assistência a filho, após aprovação do OE.

Esta informação foi compilada pelos nossos parceiros da Rede Nacional de Incubadoras cuja fonte foi Vieira de Almeida.

Mais informações em https://mailchi.mp/12423d224d60/coronavrus-covid-19-impactos-laborais?e=5488a2c9fa 

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